UM POUCO SOBRE A ENGENHARIA DE ESTRUTURAS

Durante muito tempo se projetou manualmente, tanto desenho como dimensionamentos. Uma régua de cálculo era indispensável e em escritórios de cálculo estrutural. O projeto em si, era concebido praticamente como uma obra de arte, pincelada a pincelada, pilar a pilar. Com isso, a repetição de desenho de formas e detalhamentos era melhor visualizada pelo projetista, assim os erros poderiam ser encontrados com maior facilidade.

Com o advento do CAD (Computer Aided Design), no final da década de 80, início da década de 90 e a descentralização dos escritórios de projeto a velocidade no processo de desenvolvimento de projetos aumentou e com ele a possibilidade de falhas e erros omissos. Não somente falhas de detalhamentos e estrutura como incompatibilidades e emissão de versões sem revisão e afins.

Junto com o aparecimento do CAD começaram a aparecer os primeiros programas computacionais de análise estrutural. Tal feito iniciou uma revolução na maneira de projetar e conceber as estruturas e suas diversas formas e possibilidades. Hoje, no mercado de softwares, temos vários exemplos a alcance de um click na grande rede de informações. Isso deveria ser motivo para alegria e empolgação para a engenharia de estruturas. Mas não é.

Logicamente, os softwares são fundamentais e indispensáveis na engenharia de estruturas. Devido ao auxílio deles realizou-se façanhas em projetos que beiram o absurdo. Análises não lineares, efeitos de segunda ordem, simulação de ventos, sismo, neve e inúmeras combinações seriam impossíveis de uma válida verificação manual em tempo hábil e de maneira confiável.

Porém a imprudência e a imperícia dos usuários de software de estruturas faz com que isso se torne uma bomba relógio. Estruturas mal lançadas, análises equivocadas, detalhamentos como o programa fornece e sem nenhum refinamento são ingredientes perfeitos para uma tragédia anunciada.

Desde o desenho técnico, projeto de arquitetura, materiais de construção até disciplinas mais específicas como análise estrutural, resistência dos materiais, concreto armado, aço e madeiras. A concepção estrutura passa por várias cadeiras do curso de engenharia e estas informações e saberes devem estar intrinsecamente ligados a modelagem e desenvolvimento do projeto.

Imaginem a seguinte situação. Uma estrutura é lançada ERRADA em um software líder de mercado, com método dos elementos finitos, processamento paralelo, normas atualizadas, BIM entre outras benfeitorias. O programa retornará a informação de acordo como foi modelado. ERRADA. E se o usuário não entende que aquela deformação, superdimensionamento ou reações de apoio estão estranhas, isso vai parar na obra a ponto de ser executada. Isso é uma questão de intelecto. Não de análise computacional.

Existe uma grande, quase um abismo, diferença entre usuário e engenheiro de estruturas. O usuário sabe, ou pensa que sabe, sobre lançar elementos, cargas e afins, clicar em processamento e “cuspir” os resultados numa prancha. O engenheiro de estruturas não. Modela a estrutura, analisa os resultados, verifica deformações, fissuras, armaduras, detalhamentos, compatibilidades e afins para aí sim encaminhar o projeto para a obra.

Sendo assim, após todos os argumentos apresentados, podemos afirmar que de engenharia de estruturas precisa dos programas computacionais para seu desenvolvimento. É notório a liberdade de projetar e analisar obras de grande vulto ou complexidade. Porém isso não quer dizer esses softwares dispensam o uso do engenheiro. Muito pelo contrário. Esse indivíduo deve ser figura ativa fazendo apontamentos e questionando informações e resultados expedidos por computadores e programas.

A tecnologia está aí para ser usada e abusada. Mas, o discernimento e senso crítico são indispensáveis para a elaboração um produto final de qualidade e segurança, que é como os projetos de engenharia devem ser concebidos. Um projeto não é somente um amontoado de linhas e cálculos, que é como os softwares entendem. Um projeto requer muito mais propriedades intelectuais do que cálculos realizados na velocidade da luz.

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